sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Domingo no Matadouro

Se levo um tiro no olho

disparado por um jovem

que morre em conflito

com policiais

cinco dias depois,

sou comprimido contra minha nuca

até explodir contra o muro

– ossos, miolos, sangue, consciência –

num momento onipresente

antes do impacto

contra a barreira de concreto?


E se me resta só a base

de toda a massa cinzenta

o último suspiro é cerebelar?,

torno-me um Lagarto Monitor

ou Dragão de Comodo antes

da transformação final

em coisa inanimada?


Coisa inanimada:

coisa sem uso claro –

coisa sem qualquer uso.


É como sempre quando encontro

aquele cachorro atropelado.

0 comentários: