A primeira vez que vi um lobo-guará
foi numa tarde quente
durante minha infância.
Pernas fincadas na campina seca –
caules finos e pretos,
filhos da queimada que come o campo –
corpo vermelho envergado sob o sol,
língua que lambe o vazio
balançando sob o vento.
Cachorro magro esquecido de correr,
naquela noite tive medo de dormir:
esquecer a faísca de ferro nos seus olhos
quando farejou sangue através de suas grades
antes de correr para o fundo do cercado
assustado com o som das crianças.
liers
1 semana atrás

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