segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Lobo-Guará

A primeira vez que vi um lobo-guará
foi numa tarde quente
durante minha infância.

Pernas fincadas na campina seca –
caules finos e pretos,
filhos da queimada que come o campo –
corpo vermelho envergado sob o sol,
língua que lambe o vazio
balançando sob o vento.

Cachorro magro esquecido de correr,
naquela noite tive medo de dormir:
esquecer a faísca de ferro nos seus olhos
quando farejou sangue através de suas grades

antes de correr para o fundo do cercado
assustado com o som das crianças.

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