quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ars Moriendi

o sono é sempre de menos
o espasmo é sempre no escuro
os seios são sempre sensíveis
onde risca o bisturi

a noite foi sempre a de ontem

contada com gotas de água
que pingam no filtro de barro

o que nasceu prematuro
quando ainda havia fome
o que verteu do sangue
quando ainda havia carne
foi embora enquanto eu morria:

faz dois milênios que não sonho

2 comentários:

O Autor. disse...

bonito, cara!!!

Luiz Pierotti disse...

ah, sabia que ia gostar!